A insegurança de uma Lisboa vazia

Atualizado: Jul 22

Apesar de estar em um dos países mais seguros do mundo, pela primeira vez, senti medo ao andar nas ruas de Lisboa.

Largo do Carmo - Lisboa

Ah, nunca pensei que sentiria falta dos turistas pipocando por Lisboa, muvucando os restaurantes, empurrando para a foto perfeita e subindo nos tuk-tuks estacionados irregularmente.


É, eles não estão mais por lá. Se bem que as fronteiras com a União Europeia reabriram na última segunda-feira, dia 15 de junho, mas, de qualquer maneira, Lisboa está deserta há 3 meses.


Era a segunda vez que ia a Lisboa depois do desconfinamento. A primeira, também à noite, não me deixou apreensiva. Foi triste, triste por ver uma cidade com tanto a oferecer parada, inerte. Foi triste ver os comerciantes à porta de seus restaurantes sem ninguém para servir, foi triste ver lojas fechadas, foi triste ser a única mesa de um restaurante tão bom. Preocupei-me, mas pela sobrevivência daquilo e de quanto tempo precisaria para retomar a economia.


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Mas isso não deveria ser um fator de insegurança e nem é. A sensação de insegurança veio de um final de tarde. Feriado, dia de Santo António, os bares e esplanadas foram proibidos de funcionar depois das 19h para evitar aglomerações. Restavam alguns poucos abertos para quase ninguém que ali resolveu passear.


Ribeira da Naus - Lisboa

Já adianto que essa foi uma percepção minha. Eu carrego uma bagagem de morar em um cidade insegura e vivi situações violentas ao longo dos anos em São Paulo.


Chegamos pouco depois das 19h, o sol raiava, a vista do Tejo estava linda e o céu azul de Lisboa como sempre não decepcionava. Estacionamos no Cais do Sodré, encontramos alguns amigos e caminhamos pela Ribeira da Naus até a Praça do Comércio.


Ali, já notei uma estranheza no movimento. Poucas pessoas, algumas observando o final de tarde, outras tentando vender seu trabalho, não havia portugueses, não havia turistas.


Já na Praça do Comércio, o número de vendedores de haxixe pareceu multiplicar. Muitos dirão que eles são inofensivos pois ali não tem haxixe de fato, é louro ou orégano, não sei ao certo. Eu sei disso, algumas pessoas também sabem, mas eles podem sim intimidar um desavisado. E também podem ser insistentes mesmo com quem está ciente do quase tráfico da Baixa.


Penso no turista que está ali passeando, é ruim e causa má impressão.


Praça do Comércio - Lisboa

Vivi em São Paulo toda minha vida, então, você aprende a sempre estar de olho, segurar a bolsa. Depois de quase 1 ano e meio aqui, perdi essa "mania" e não percebi quando um homem havia colado atrás de mim ao andarmos pela Rua Augusta. Meu marido me puxou e o homem passou. Não sei se ele iria de fato fazer algo, mas pareceu que pegaria minha bolsa ou algo de dentro (caso estivesse aberta).


Estalou um click e com esse click, as "manias" de São Paulo já dominaram meu comportamento. A bolsa ficou grudada ao corpo e os olhos atentos rodeavam tudo.


Sentamos em uma ginja ainda aberta e nos despedimos por volta de 22h. Ali, sentados, já notei a passagem de muitos moradores de rua. Muito mais do que antes. Pouco antes, havíamos passado pelo Largo São Domingos, já conhecido pela concentração de moradores de rua e distribuição de comida. Havia muito mais gente que antes.




E não, moradores de rua não são motivo de insegurança. Só destaco aqui o aumento de pessoas vulneráveis, em situação de rua, marginalizadas e deixadas de lado. Até fomos abordados na volta do carro por um homem pedindo comida, dizendo que estava morando na rua. Ele foi bem educado e não pudemos ajudar, já que não havia nada aberto, nem mesmo o Mc Donald's.



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O aumento é preocupante. Primeiro, porque quanto maior a desigualdade social, maior a criminalidade. Não sou eu que digo, são estatísticas. Segundo, porque a vulnerabilidade gera desespero, que por sua vez, gera violência.


Foi desconfortável o percurso de volta pro carro. Mudamos o caminho para tentar ruas mais tranquilas. Não foi a abordagem do homem e nem ver o quanto de gente estava passando fome que me deixou insegura.


Foi a estranheza de um lugar que antes parecia familiar. Era uma Lisboa diferente, uma Lisboa desconhecida por mim. Não foi confortável passear, não foi agradável estar ali. Obviamente, não é possível comparar com São Paulo. Nem passa pela minha cabeça essa comparação.

Voltei pra casa ansiando para reconhecer Lisboa o quanto antes e torcendo para me irritar novamente com os turistas.



Por Camila Ciberi para @quesejportugal

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